Normalmente, do ponto de vista estético, os homens e as mulheres podem começar um programa de treino com objetivos diferentes. Eles querem ter um peitoral que impõe respeito e pelo menos 40 centímetros de braço. Elas já pensam em diminuir a gordura das pernas, aumentar o os glúteos e tonificar o “músculo do adeus”. Mas existe um grupo muscular que preocupa ambos os géneros: o abdominal!


Do ponto de vista estético, a famosa “barriga de tanquinho/six pack” é o objetivo de muita gente que começa a fazer treino diário de abdominal. E, do ponto de vista de saúde articular, o tão falado treino de core é uma recomendação para evitar ou melhorar disfunções musculoesqueléticas. Da mesma forma que existem vários detalhes na periodização e execução do treino abdominal, muitos mitos foram surgindo.
Vamos de seguida, procurar desmitificar alguns.

  1. Devo fazer muitas repetições para o abdominal ficar forte: MITO
    Os grupos musculares da parede abdominal são iguais a qualquer outro. Se o objetivo é torná-los mais fortes, precisará de uma carga progressiva. As repetições são só uma das variáveis agudas do treino e não influenciam só por si o resultado. O aumento da carga (não necessariamente resistência externa), poderá ser só uma progressão do exercício para aumentar a intensidade, como por exemplo aumentar as alavancas.
  2. Treinar abdominal queima gordura localizada: MITO
    O dispêndio calórico é sempre global. O que pode acontecer é a confusão com a hipertrofia, que desenvolve um ou mais músculos isolados. Os exercícios que solicitam a parede abdominal, como outro qualquer que nos eleve a frequência cardíaca e, com isso, o dispêndio calórico, contribuem para a redução de gordura geral se for uma estratégia acompanhada de um défice calórico.
  3. Faça abdominal todos os dias, pois os músculos abdominais recuperam rápido: MITO
    A verdade é que é difícil não estimular o abdominal todos os dias de treino, mas a recuperação muscular é fundamental. A parede abdominal faz parte do tão falado core. Por isso, funciona como um elo de ligação e de transferência de forças entre a cadeia superior e inferior do aparelho musculoesquelético. Deve alternar entre os exercícios que trabalham diferentes partes deste grupo muscular, como a parede anterior, lateral e posterior, ou ainda alternar entre o recrutamento da musculatura interna e superficial, em exercícios estáticos e dinâmicos, nos planos sagital, frontal e transverso.
  4. O treino abdominal auxilia na prevenção de dor de costas. VERDADE
    Muito mais importante do que os possíveis resultados estéticos, do ponto de vista de saúde articular, o treino da parede abdominal está associado à saúde da mobilidade e estabilidade dos vários segmentos da coluna, sendo imprescindível no equilíbrio da coluna lombar e da cintura pélvica. A musculatura abdominal fortalecida, como sejam o transverso abdominal, os pequenos e grandes oblíquos e o reto abdominal, juntamente com o soalho pélvico ativo, formam uma proteção visceral, evitando compressão nos órgãos e na lombar.
  5. O fortalecimento do abdominal deve ser prioridade no início de um programa de atividades: VERDADE
    Nem sempre damos a devida importância ao abdominal, deixando-os para o fim do treino. Dependendo da sua fase de treino, essa prática pode não ser a ideal. A pré-ativação da musculatura abdominal no início do treino cria uma rigidez muscular dinâmica que o vai auxiliar no treino de força, Por exemplo nos movimentos com resistências externas distantes do centro do corpo.

Aconselhamos fortemente o acompanhamento de um profissional de exercício físico. Não acredite em sites que não são confiáveis, perfis de redes sociais ou no seu amigo que jura que pesquisou! Antes de começar a auto prescrição de abdominais, contacte o “seu” profissional de exercício e peça ajuda. Estamos à curta distância de um telefonema, mensagem ou e-mail.

Esperamos por si! Bons treinos!