No atual panorama social, e devido à liberdade de movimentos que possuímos na cintura pélvica, é comum existirem desequilíbrios musculares, desequilíbrios esses que são caracterizados por uma desproporcionalidade de força, tensão ou tamanho relativamente aos músculos recíprocos (agonista/antagonista) inseridos no mesmo contexto articular. Esses desequilíbrios tendem a ser cada vez maiores à medida que continuamos com o mesmo padrão de movimento.

Dos desequilíbrios mais habituais é a síndrome do cruzado inferior, conhecido pelo aumento da lordose lombar e anteversão da bacia. Esta disfunção mecânica é desencadeada por abdominais e glúteos inibidos e consequente hipertonicidade de flexores da coxa e extensores lombares. Esse desequilíbrio atinge particularmente os segmentos L4-L5 e L5-S1, articulações sacroilíacas e a articulação coxo femoral. Por isso, é importante uma mudança de padrão pré-adquirida pelo nosso sistema nervoso central (Key J, Clift A, Condie F, Harley C, 2008).

Durante o exercício é importante estarmos atentos a esses padrões, que são desencadeados inconscientemente quando tentamos fazer um controlo postural dinâmico. Mesmo tentando controlar esse desequilíbrio de forma consciente, essa estratégia pode tornar-se ineficiente durante trabalhos com sobrecargas adicionais (gravidade incluída) (Key J et all, 2008).

A estratégia passa por preparar o nosso corpo para aquelas que vão ser as exigências do treino. É, então, relevante alongar/inibir toda a musculatura hipertónica/mais “forte”, e posteriormente contrair de forma consciente e controlada a musculatura mais “fraca”/inibida.

Excelentes estratégias passam por inibir os flexores e posteriores da coxa e depois ativar os glúteos, nomeadamente o grande e médio glúteo, e a musculatura mais interna da parede abdominal. Após as técnicas de inibição, exercícios como prancha, super-homem e ponte de glúteos são excelentes estratégias enquanto técnicas de ativação.

Apesar desta síndrome ser muito frequente na nossa população, consulte o seu PT para aferir esta condição e adaptar a prescrição de treino de forma personalizada.