Nesta época de treino domiciliário, vamos tentar perceber se temos de treinar como no ginásio, até aquele ponto de “não consigo mais” ou se pode ser possível, mesmo não atingindo o estado de fatiga, obter adaptações no que diz respeito ao aumento de força.


No tema que iremos abordar vamos focar num estudo desenvolvido por Folland JP et al., “Fatigue is not a necessary stimulus for strength gains during resistance training” (2002). Procurou-se estabelecer as diferenças ou semelhanças de um treino levado à fadiga e de um treino em que os participantes não chegavam a atingir fatiga (treino de força).

A metodologia usada por Folland JP et al. (2002) levou a comparar treino em que uns participantes eram levados a estados de fadiga elevados e os restantes chegavam a níveis de fadiga bastante baixos. O treino consistiu num trabalho do membro inferior, de forma a centralizar e ser mais fácil de controlar as variáveis que pudessem vir a aparecer.

No resultado final do processo de treino, que durou 9 semanas, verificaram-se ganhos na força máxima em ambos os grupos, sendo que o tipo de treino com níveis de fadiga baixos mostrou ganhos de força significativos, comparativamente ao de alta fadiga. Mesmo que o treino até “à falha” prevaleça e tenha resultados mais rápidos, isto leva-nos a pensar que não precisamos de atingir sempre o nosso patamar máximo durante o treino, e que não é necessário ficar cheio de dores no dia seguinte para que haja, também, alguma adaptação no nosso corpo e desenvolvimento de força.


Uma mensagem que queremos passar é que, mesmo que nesta altura de restrição social, de não puder treinar no ginásio e dos níveis de fadiga que conseguimos atingir serem diferentes, devemos também focar nos aspetos positivos, mesmo atingindo diferentes “sensações” pois, como vimos, o treino domiciliário, mesmo que provoque menos fadiga, também será uma forma viável de atingir resultados.


A conclusão principal a retirar é que treino de força, ou qualquer tipo de treino, não precisa de causar desconforto ou fadiga elevada. Um treino bem feito, com velocidades de execução adequadas e posturas cumpridas, será um treino eficiente e evitará que acorde muito dorido ou, a título de exemplo, sem conseguir mexer os braços devido as dores musculares.


O importante a reter é: se o problema é não gostar de treinar porque é doloroso e cansa muito, então esse problema está resolvido! Existem imensas formas de atingir os objetivos relacionados com o aumento de força ou o aumento de massa muscular.
Portanto, sem desculpas! Neste período de stress, vamos deixar de pôr stress no nosso cérebro e vamos pôr stress nos nossos músculos, sendo que mesmo em casa conseguimos continuar a trabalhar para ter um corpo saudável e forte.

Referências:
Fatigue is not a necessary stimulus for strength gains during resistance training J P Folland, C S Irish, J C Roberts, J E Tarr, D A Jones (2002)