Nós, humanos, somos animais de hábitos e por isso dependentes de rotinas (variáveis entre indivíduos) e o intestino é um dos órgãos que responde às mesmas.

Conhecido como sendo o segundo cérebro, o intestino responde a estímulos, estando comprovado que estes dois órgãos estão conectados, podendo influenciar-se mutuamente. Aliás, sabe-se hoje que o intestino tem inclusive mais neurónios nas suas paredes do que o próprio cérebro, pelo que reage a todos os estímulos e emoções desde as mais positivas às mais negativas.

90% da nossa serotonina, hormona do prazer e bem-estar, encontra-se no intestino, e é capaz de regular a motilidade gastrointestinal, o apetite e o sono. Quando os seus níveis reduzem podemos ter situações de obstipação ou diarreia. Situações de stress e ansiedade vão alterar a composição da flora intestinal e o intestino irá responder com inflamação, má absorção, intolerâncias, além de dor ou desconforto. Situações novas e rotinas alteradas podem desencadear esses sentimentos e, consequentemente, esses efeitos menos positivos. Numa fase de isolamento social e em que os acontecimentos atuais geram medo e ansiedade o intestino pode responder negativamente. Se habitualmente já sofre de alterações intestinais deve, ainda mais, estar atento às modificações durante este período.

Assim, há cuidados que deve privilegiar nesta altura:

  • Horários e idas regulares à casa de banho – adiar este comportamento acaba por tornar o músculo retal insensível e dificulta o reconhecimento da necessidade de evacuar;
  • Atividade física – caminhar e exercício físico no geral promove o bom peristaltismo intestinal (contração dos músculos intestinais);
  • Hidratação – não basta ingerir fibra se ela não for hidratada, caso contrário irá provocar o efeito contrário ao pretendido;
  • Consumo de prebióticos – são fibras não digeríveis, presentes nos alimentos, e que são aproveitadas pela flora intestinal. Ex.: Frutas e Vegetais (cebola, alho-francês, alho, maçã, banana), cereais integrais (aveia, cevada, trigo), sementes (linhaça), entre outros;
  • Consumo de probióticos – são microorganismos vivos que vão repovoar a flora intestinal com bactérias boas e encontram-se em alguns alimentos: iogurtes e leites fermentados (Kefir), Chucrute, Kimchi, Miso.

Nutricionista Sílvia Oliveira (2164N)