1º Mito: O treino cardiovascular é o treino mais eficaz para reduzir gordura corporal

Facto: Estudos revelam que não é o tipo de treino que influencia a redução de gordura corporal, mas sim a quantidade de energia gasta. Relativamente a isto, podemos dizer que o treino com resistência externa aumenta a massa muscular, que por sua vez, faz aumentar o gasto calórico.

Se juntarmos o treino aeróbico com o treino anaeróbico, aumenta substancialmente a perda de gordura corporal. O segredo não é focar só num tipo de treino, mas sim, focar em vários tipos de treino. Temos de ter em conta que a intensidade de treino vai influenciar a redução de gordura corporal. Se o treino for muito intenso, por exemplo H.I.I.T (treino intervalo de alta intensidade), conseguimos alcançar o EPOC (consumo em excesso de oxigénio pós treino). Isto quer dizer, o treino foi tão intenso que o atleta conseguiu queimar mais calorias depois de acabar esse mesmo treino.

2º Mito: O treino com cargas leves (20% da RM) é sempre mais seguro que o treino com cargas pesadas. (85% da RM)

Facto: Este argumento é comum, especialmente em treinos planeados para crianças e para idosos. É verdade que se um atleta treinar sempre numa intensidade próxima do seu máximo (95% a 100% da RM) leva a lesões musculares, mas não podemos referir que a segurança está diretamente relacionada com o treino com cargas pesadas.

Temos de ter em conta que as atividades onde ocorrem um maior número de lesões são aquelas que não utilizam nenhuma carga, como por exemplo a corrida, ou aquelas que a carga é substancialmente leve, como por exemplo ténis ou hóquei. Temos de realçar que as cargas leves podem produzir forças maiores nos músculos do que as cargas pesadas, devido à aceleração do próprio peso, por ser mais leve, a velocidade aumenta, de acordo com a segunda lei de Newton.

Outro ponto que não podemos esquecer é que as cargas leves podem ser utilizadas para um maior número de repetições num determinado movimento em relação às cargas pesadas. Isto pode levar a múltiplas lesões. Para concluir, por vezes atividades em que o uso de material é nulo podem ser mais perigosas do que atividades com cargas pesadas.

3º Mito: O treino cardiovascular é a melhor maneira de aquecer antes de treinar

Facto: O aquecimento serve para preparar o nosso corpo para uma determinada atividade, e normalmente é feito num aparelho cardiovascular, mas será que é a melhor opção? As máquinas de cardiofitness envolvem grandes grupos musculares, principalmente os membros inferiores, por isso é que são escolhidas por grande parte das pessoas. No entanto, conseguimos produzir o mesmo efeito em outros exercícios, por exemplo o agachamento. Se o indivíduo conseguir fazer um agachamento com qualidade, o mesmo pode e deve fazer um aquecimento específico. Se vamos agachar no treino, faz todo sentido agachar no aquecimento. O aquecimento deverá ser o mais real possível em relação àquilo que vamos fazer depois no treino propriamente dito. Realizar o aquecimento num aparelho cardiovascular não está errado, mas esse mesmo aquecimento fica pobre, fica incompleto. Devemos treinar outras capacidades, por exemplo mobilidade, ou exercícios de ativação muscular, para que o nosso treino seja mais eficaz.

Exemplo de um bom aquecimento num treino de perna: realizar o exercício ponte de glúteos para trabalhar a mobilidade da bacia; realizar o exercício de agachamento com o peso corporal; treino específico; extensão da bacia com elástico para ativação muscular do glúteo, principalmente o grande glúteo.