Segundo a Associação Portuguesa de Urologia, Incontinência Urinária define-se como uma situação patológica que resulta da incapacidade em armazenar e controlar a saída de urina. É caraterizada por perdas involuntárias de urina, como fugas muito ligeiras e ocasionais, a perdas mais graves e regulares.

É mais comum em mulheres do em homens, e sobretudo quando estas têm mais do que um filho. Durante a própria gravidez e nos meses seguintes ao parto, a grávida pode sofrer ligeiras perdas de urina, devido às alterações hormonais características da gravidez, levando a uma laxidão ligamentar e a que a musculatura do pavimento pélvico esteja mais relaxada. Com o envelhecimento, devido à diminuição de massa muscular e fortalecimento da mesma, os músculos acabam por ficar atrofiados, e perdem alguma capacidade de contração, permitindo assim que haja fugas urinárias.

Para reverter o processo de incontinência urinário é aconselhada a realização de exercícios para o pavimento pélvico. O pavimento pélvico é um conjunto de fibras musculares que suportam os órgãos pélvicos, ou seja, a bexiga, a uretra e, no caso das mulheres, também o útero. Se não for exercitado há o comprometimento do desempenho desses órgãos.

Atualmente recomenda-se a realização de exercícios de Kegel para fortalecer este músculo. Exercícios de Kegel consistem em estar sentado ou deitado com as pernas fletidas e pés apoiados no chão e sentir um aperto e levantamento da zona à volta da vagina e ânus, como se quiséssemos evitar a perda de gases e urina simultaneamente. Para percecionar onde se localiza o pavimento pélvico e o tipo de contração que deve ser realizada, os especialistas da área de saúde recomendam urinar de forma intermitente, contraindo e relaxando a uretra. Deve executá-los durante um período mínimo de 3 meses, 3 séries de 8-12 contrações rápidas (2 segundos) ou mantidas (3-5-10 segundos), 2 vezes por semana, para que haja melhorias no fortalecimento do pavimento pélvico.

Estudos feitos recentemente têm demonstrado bons resultados quanto à diminuição da incontinência urinária em indivíduos que começaram a fazer Pilates, mas que contraíam em cada movimento o pavimento pélvico. Exercícios como a/o:

  • Ponte de ombros: deitar de barriga para cima apoiando os pés no chão, contrair o glúteo e elevar a bacia, até ao ponto em que o tronco e a bacia se encontram alinhados. Voltar à posição inicial, tocando a vértebra no chão até a bacia estar completamente assente.
  • Ponte de ombros modificada: Realizar o mesmo movimento que o anterior, utilizando uma bola insuflável entre as pernas. Apertando a bola quando a bacia sobe e quando desce.
  • Hell slides: deitar de barriga para cima, apoiando os pés e mãos no chão. Realizar extensão de uma perna, rastejando o calcanhar sobre o chão. Voltar à posição inicial fletindo a perna.
  • Hundred: deitar de barriga para cima, elevando as pernas a 90º. Manter os braços estendidos próximos do corpo, afastá-los do chão e fazer pequenos movimentos de cima para baixo com os braços, como se os braços fossem um leque.

Estes são alguns dos exemplos que podem contribuir para diminuir a incontinência urinária, se forem realizadas 2-3 séries de 5 a 8 repetições, pelo menos 2 vezes por semana.

Em caso de incontinência urinária, evite desportos de alto impacto e exercícios que aumentem a pressão intra-abdominal.

Se porventura vir que não tem resultados, consulte um médico e siga as suas indicações.