A gravidez é um fenómeno biológico caracterizado por alterações nas estruturas internas, ao nível da auto perceção, na relação com o outro e com o quotidiano. Durante este período, as mudanças a nível hormonal, psicológico e fisiológico também se fazem notar e podem afetar diretamente a prática de AF.

Na gravidez, a inatividade física e o ganho peso excessivo foram reconhecidos como fatores de risco independentes para a obesidade materna e complicações relacionadas à gravidez, incluindo a diabetes gestacional (Silva, 2019). Verifica-se, por exemplo, que há uma diminuição da capacidade pulmonar total e alterações no padrão respiratório, como resultado de os músculos da parede abdominal apresentarem um tónus diminuído e menor atividade.

O American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG, 2015) reconheceu que a atividade física durante a gravidez apresenta diversos benefícios para a maioria das mulheres, desde que feitas as devidas adaptações. Para que se possam potenciar esses benefícios, é preciso garantir que não existe contraindicação médica ou obstétrica para a prática de atividade física e para que a mesma esteja adaptada às necessidades da mãe e do feto, sendo essencial realizar uma avaliação física antes de se iniciar um programa de exercícios (ACOG, 2015).

Atualmente, sabemos também que mulheres que praticam exercício físico ganham significativamente menos gordura corporal e peso durante a gravidez. O exercício físico de intensidade moderada a vigorosa pode afetar no aumento de massa muscular e redução de tecido adiposo, proporcionando benefícios metabólicos como, controlo glicémico para mãe e feto (McDonald et al.,2016).

Além do controlo de peso, devem ser abordados temas relacionados com a qualidade de vida da mulher, tais como dores associadas a questões posturais, stress e diminuição do risco de depressão pós-parto (Surita et al., 2014). Estudos revelam também que, do ponto de vista do pós-parto, a atividade física nas mulheres surge como um coadjuvante terapêutico positivo comparativamente a outras abordagens terapêuticas ditas tradicionais (Poyatos et al., 2017).

O ACOG (2015) indica ainda que grávidas sem complicações devem, então, ser encorajadas a ser ativas pelo menos 30 minutos por dia, na maior parte dos dias. Realizar exercícios aeróbios tais como caminhadas, bicicleta ergométrica, bem como outros exercícios de baixo impacto, corrida leve, yoga ou pilates. Tudo isto, como referido anteriormente, adaptado.

As mulheres que são fisicamente ativas podem manter os exercícios prévios à conceção, desde que ajustados, e as sedentárias são incentivadas a começar com exercício de intensidade moderada, num mínimo de 15 minutos, 3 a 4 vezes por semana, aumentando posteriormente para 30 minutos 5 vezes por semana (Wolfe & Davies, 2003).