Nesta fase de pandemia, a prática de exercício físico tem vindo a ganhar importância para a população, visto que esta está associada a vários benefícios ao nível da saúde e, como existe uma maior predisposição e interesse para a prática de exercício, surgem vários constrangimentos. Perante esta problemática, iremos focar-nos num artigo que aborda a temática da tridimensionalidade da prescrição do exercício (Pereira, 2019) e vamos relacioná-lo com a mesma.


Segundo Pereira (2019), recentemente conceptualizou-se o treino funcional, e este entende-se como um treino que tem como objetivo preparar o indivíduo para uma determinada função, melhorando os gestos/movimentos envolvidos na mesma e prevenindo os desequilíbrios musculares e articulares que possam surgir através dos mesmos. Além de que, a maioria dos movimentos realizados pelo corpo humano decorrem em três planos do movimento (Sagital, Frontal e Transverso ou Horizontal).

Assim, a necessidade de introduzir movimentos triplanares no treino surge da própria conceptualização do treino funcional. O mesmo ainda refere que o treino tridimensional visa o desenvolvimento da força e estabilidade, mas acima de tudo da mobilidade articular, que é muitas vezes comprometida resultante do treino de força, originando desvio funcional, articular e lesão.

Desta forma, prescrever um treino pela escolha de materiais pode levar à perda de funcionalidade, podendo reduzir o treino a um misto de exercícios sem qualquer base e fundamentação. Para além de pensarmos no treino 3D, talvez a verdadeira mudança de paradigma de prescrição do treino passe por escolher os movimentos necessários nos três planos indicados e só depois escolher exercícios e finalmente os materiais. Como se pode analisar, o uso de material não é realmente tão importante como se poderia pensar, uma vez que podemos manipular outras variáveis do treino, neste caso a integração do movimento nos três planos, e ainda podemos utilizar o próprio peso do corpo como “aliado”, que está associado a vários benefícios.