De acordo com a FAO, estima-se que 1/3 dos alimentos produzidos a nível mundial é desperdiçado. Esta realidade causa problemas a nível económico, ambiental e social. A nível social, se este 1/3 de alimentos fosse corretamente direcionado, supriria as necessidades alimentares de milhares de pessoas a nível mundial. Evitar-se-ia também um impacto significativo no ambiente, uma vez que uma percentagem do contributo da agropecuária e indústria para a emissão de gases com efeito de estufa, deve-se à produção de bens alimentares. Por fim, toda a matéria prima, água, combustíveis e mão de obra utilizada para a produção destes bens alimentares desperdiçados são considerados gastos económicos em vão.

Em Portugal estima-se que cerca de 1 milhão de toneladas de produtos alimentares são desperdiçados por ano, ou seja, 97 quilos de comida por cada um de nós. Nos dias de hoje é extremamente importante olhar para estes números e tentar reduzir os seus valores, tomando algumas medidas para evitar o desperdício alimentar.

Podemos assim, todos nós em casa contribuir para esta diminuição do desperdício alimentar. Basta aplicar estas medidas simples e práticas:

1 – Planeie as refeições com antecedência e escreva a lista de compras antes de ir ao supermercado (e de preferência saudáveis).

2 – Evite comprar doses acima das que o seu agregado familiar necessita.

3 – Verifique a data de validade dos produtos e analise se o seu agregado familiar consumirá os produtos dentro desse prazo:

Os alimentos com a indicação “Consumir de preferência antes de” poderão ser consumidos depois da data indicada (caso tenham boas condições de conservação), contudo poderão já ter perdido algumas das suas características.

Os alimentos com a indicação “Consumir até” devem ser consumidos até à data indicada no rótulo.

4 – Prefira os produtos frescos ou numa fase inicial de maturação, de forma a aguentarem mais tempo.

5 – Organize a sua dispensa e frigorífico, com os produtos de menor prazo de validade mais perto, e os produtos com maior prazo mais longe.

6 – Quando confecionar as refeições, faça-o com as porções adequadas do seu agregado familiar, evitando excedentes ou sobras.

Todavia, se mesmo assim sobrarem alimentos, o que fazer com eles? Seguem aqui várias dicas de reaproveitamento:

7 – Reaproveite a fruta mais madura e faça purés de fruta, ou adicione leite ou bebida vegetal e faça um batido, ou até congele em pedaços para mais tarde fazer gelados.

8 – Se sobrarem hortícolas, reutilize-os numa sopa ou um esparregado, num estufado com leguminosas ou numa quiche.

9 – As cascas de alguns alimentos como o limão e laranja podem ser usados para fazer infusões, compotas ou até sobremesas. As cascas de curgete ou cenoura e os talos de couve e alho francês pode aproveitá-los para fazer caldos de legumes.

10 – as leguminosas que cozeu (ou o frasco que abriu) pode aproveitá-las para fazer hambúrgueres vegetarianos ou em sopas.

11 – Utilize o peixe ou carne que sobrou para fazer um empadão, quiche, arroz de forno, entre outros.

12 – Com as batatas cozidas pode fazer empadão, puré e até mesmo uma tortilha.

13 – Com o arroz que sobrou pode fazer um arroz de forno.

14 – Com o pão endurecido pode fazer torradas para o pequeno-almoço ou fatias torradas no forno com tomate picado e orégãos e um fio de azeite num lanche. Ou até fazer uma açorda.

Nutricionista Tiago Neto (CP 3982N)

Referências Bibliográficas

Boliko, M. C. (2019). FAO and the Situation of Food Security and Nutrition in the World. Journal of nutritional science and vitaminology, 65(Supplement), S4-S8.